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100% ARGENTINO
PFDBMirando por el Tambucho
El modo en que Pepe Fuera de Borda te hace conocer a la gente que navega. Un apasionante paseo por el interior de navegantes conocidos y desconocidos (hasta ahora) para vos.
(Como los reportajes son extensos, también puedes bajarlo en formato word para leerlo desconectado. En la columna de la izquierda están disponibles.)
 Reportaje a Sombra por Pepe Fuera de Borda  

Este é um olhando pela Vigia feito com Joao Francisco Sombra de Albuquerque, velejador Brasileiro que faz sete anos saiu em viajem de Cruzeiro. Sombra navega no seu veleiro Guardian e tem seu propio grupo na Internet o Guardianboat. A sua presenca na internet é extrovertida e envolvente. O Irmao Sombra, como gosta de chamar e ser chamado, nos responde da Tailandia aonde se encontra ao momento desta reportagem. Agora vamos as perguntas e respostas que nos permita conhecer a um navegante desconhecido para muitos.. Ate agora.

Reportagem com o Sombra


En Español | Em Portugués

E com muita satisfação e ate mesmo honra, que participamos desta entrevista com nosso super irmão, PEPE FUERA DE BORDA.
Inicialmente por ser direcionada aos velejadotes e náuticos da Argentina, pais que nutrimos uma forte admiração, já que um dos melhores amigos de nossa vida é um Argentino, com quem por muitos anos fizemos nossos mergulhos de caca submarina em Maceio. Hector, nos ensinou a conhecer, respeitar e sobre tudo admirar ao extraordinario povo irmao Argentino.
Hoje ele la ainda mergulha e nas vezes que estivemos em Maceio, o encontrar Hector foi algo notavel. Justamente este é o sentimento que nutrimos ao participar desta entrevista com PEPE, sentimento de amizade e de prazer indescritível, tal e qual quando com Hector nos encontramos.
Nesta entrevista abrimos as portas de nossos coracoes, meu e de minha familia, aos irmaos Argentinos, contamos nossa historia, nossa vida e esperamos que venha esta materia servir de estimulo para que novos cruzeiristas se facam ao mar em cruzeiro a vela pelo mundo.
Com muito prazer participamos de dois Grupos Nauticos na Argentina, o Navegando por el mundo, com a formidavel figura de nosso irmao Luis, sempre com as maiores das amizades e atenções conosco e o Grupo Nauti-k. Neste dois Grupos vivemos intensamente a nautica Argentina e aprendemos em muito.
Pepe para nos, ja um velho irmao da internet nos trouxe a coloração da alegria no ler as coisas nauticas, sempre nos fazendo lembrar que o velejar é acima de tudo uma notavel, fantastica e entusiasmante alegria.
Assim como dito no inicio, é uma enorme satisfação e honra levar aos irmaos Argentinos a vida e a historia do GUARDIAN.

P: O que fez voce sai para dar a volta ao mundo?
JS: Viviamos o ano de 1972, trabalhavamos com nosso Velho Pai, cosntruindo a Universidade que hoje leva seu nome, numa cidade nas montanhas que cercam o Rio de Janeiro, Vassouras, longe ate do mar.
Receberamos de presente um livro, O NAVEGANTE, de Morris West, e ao terminarmos sua leitura decidiramos que aquela seria nossa vida no futuro e desde entao iniciamos a trabalhar naquele projeto, que so fora possivel ter seu inicio mais de 20 anos depois.

P: Fazer esta viagem, quando comecou aparecer na tua mente?
JS: Como colocado na questao anterior, a partir daquele momento, todos os nossos vetores convergiam para este projeto, e comecamos a procurar elementos para leva-lo a termo. Coisa que na epoca foi muito complicada, pois nada havia de informação sobre cruzeiro a vela pelo mundo, no Brasil.

P: Preparando o viagem, qual era sua maior preocupação?
JS: Sempre a nossa maior preocupação estava direcionada para os custos, e despesas.
Quanto custaria mensalmente para se fazer uma viagem volta ao mundo de veleiro. Nunca encontramos nada escrito a respeito, isto ate hoje. Assim, acabamos sentindo que esta ainda continua sendo a grande preocupação daqueles que tambem tem este projeto. Por tanto, escrevemos a cerca de 4 anos um livro, CONVERSANDO COM O GUARDIAN, onde entre outros fatores abordamos minuciosamente este tema CUSTOS no cruzeiro a vela pelo mundo. Este livro foi por nos escrito exatamente para orientar aqueles que desejam fazer esta viagem.

P: Ao fazer o viagem, estas iniciais preocupacoes eram certas ou longe da realidade?
JS: Os livros de cruzeiro a vela escritos no Brasil, normalmente tratam mais da parte aventura, alias a que mais atrai leitores. Narrativas que por vezes mostravam fatos nao muito compativeis com a realidade.
Hoje apos cerca de 8 anos vivendo plenamente a vida de cruzeirista a vela as preocupacoes se direcionam para o mesmo elemento, custos. Pois, a variação do dólar sempre nos deixa com preocupacoes, é esta a moeda do velejador de cruzeiro e com suas flutuacoes estamos sempre preocupados. Assim Pepe, ate hoje esta preocupação ainda é a maior.

P: Qual o teu barco? ?Que tipo de barco é ?
JS: O GUARDIAN, nosso amigao, como o chamamos, é um sloop de 43 pes, todo de madeira, Mogno e Carvalho, construido em 1964 por um dos mais notaveis estaleiros de veleiros de cruzeiro da Costa Oeste Americana, KETTENBURG. No site www.kettenburgboats.com se podera ter uma ideia destes fantasticos veleiros classicos.


P: Que levou voce ir ate os EEUU para comprar teu barco?
JS: Nao tivemos outra opção , pois no Brasil, `a epoca, os veleiros alcancavam precos fora de nossas condicoes. Por diversas vezes haviamos estado na California, onde nossos filhos estudavam, e comecamos a fazer uma pesquisa e acabamos por ver claramente que la poderiamos comprar nosso veleiro, o elemento capaz de transformar nosso sonho em realidade.
Convem lembrar que por volta de 1990, quando comecamos a fazer nossas pesquisas para compra do veleiro, nao havia as facilidades da internet de hoje, na epoca era o FAX o grande instrumento de comunicação.
Falando francamente e sem esconder nada, adquirimos nosso GUARDIAN por cerca de US$25 mil, na epoca em que o Real era igual ao Dólar, ou seja, R$25 mil. No Brasil jamais teriamos esta oportunidade. E, somos o segundo dono, compramos diretamente do primeiro propietario.

P: Por que um barco de este comprimento e em madeira? Nao teria sido melhor um barco de aco ou plastico?
JS: Muito boa pregunta Pepe, pois nos da a oportunidade de colocarmos alguns pontos que sao fundamentais na compra de um veleiro.
Veja bem, iriamos fazer uma viagem volta ao mundo, 4 pessoas, ainda que uma familia, os espacos sae reduzidos acabam gerando desconforto e fatalmente problemas de relacionamento. Se comprassemos um veleiro menor, fatalmente cairiamos neste problema. Assim vimos que o tamanho ideal era na faixa de 40 a 50 pes, e hoje estamos certos que nossa ideia de tamanho estava correta.
Alguns compram um veleiro menor, e depois comecam a trocar, trocar, ate chegar ao desejado. Sabemos que muitas das vezes ate por questoes financeiras, porem se nao for este o problema, parta logo para o veleiro compativel para realizar sua viagem.

P: Que conforto tem a tua embarção ?
JS: Hoje temos tudo que desejamos, em termos de conforto, eletrodomesticos, banho de agua doce, computador, enfim pense em algo pratico e que de conforto, que temos. Evidente que dimensionado ao tamanho de nossa "casinha". Como costumamos colocar, a casa é pequena, mas em compensação o quintal é o mundo !!!! Hehehehe!!!!

P: Como é a mastreação do barco? (qual o tipo de mastro e a aparelhos que tem?)
JS: O GUARDIAN como ja dito acima é um sloop, porem acabamos por colocar mais uma vela a proa, stay sail, na verdade mas recuada a fim de em tempos ruins termos neste local a Tormentín, que nos deixa mais tranquilos. Contudo, muito poucas vezes em toda a viagem usamos esta vela, na verdade nao mais do que 3 vezes.
Por ser um veleiro classico, procuramos nao colocar muitos aparelhos que viessem a quebrar as linhas classicas do GUARDIAN. Assim, nao temos paineis solares, gerador de vento, e coisas deste tipo. A unica coisa que modificamos foi o sistema de Travler, que o original nao era adequado para esta viagem.
Contamos com um Piloto Automatico Autohelm 4000, mas é nosso objetivo ainda adquirirmos nosso sonhado leme de vento, o Sailomat, que nao ira quebrar as linhas classicas do GUARDIAN.
De equipamentos eletronicos, temos todos com exceção do Radar, que esperamos compra-lo ainda este ano e a sonhada internet, que ainda é muito cara te-la a bordo, aos niveis de nossa casa. O restante temos todos os eletronicos e podemos fazer nossa navegação totalmente atraves do computador, so que ira consumir muita energia, Assim, a utilizamos em alguns momentos.

P: Quando voce iniciou a sua viagem e de onde partiu?
JS: Iniaciamos a fazer a viagem em 1996, saindo de San Diego, na California, diretamente para o Hawai. Seriam cerca de 2000 milhas nauticas e o teste para a nossa familia e conhecermos tambem o nosso amigao.

P: em quanto tempo voce aprontou o viagem? E quais foram os preparativos?
JS: Como dito acima foram mais de 20 anos, pensando em tudo, planejando cada detalhe. Porem, a partir de 1990 que realmente comecamos a tornar o projeto realidade.
Inicialmente enviamos nossos filhos para estudar nos EUA, em San Diego, ja propositadamente, por ser um grande centro nautico da America. Alem disto, eles estariam iam se familiarizando com a lingua aprendendo-a bem. E, nas nossas ferias, iamos visita-los e checar o mercado de veleiros usados.
Fomos vendo as coisas, fazendo as economias e analisando cada aspecto que pudesse nos favorecer.
O universo conspirava a nosso favor, e as coisas foram acontecendo a seu tempo. Hoje diriamos, sem medo de errar, que se fossemos fazer tudo novamente, poucas coisas seriam modificadas.
Quando compramos o GUARDIAN. pouco ele tinha, para se fazer uma viagem volta ao mundo, e o fomos equipando com o tempo, olhando os outros veleiros e vendo aquilo que para nos era a solução mais acertada, desta forma economizamos muito e nao saimos comprando tudo da primeira vez.
Quando iniciamos a viagem tinhamos 2 bons GPS, um radio VHF antigo e o material basico de navegação . Porem o mais importante era a forca de vontade e a determinação para alcancar o nosso sonho.

P: Com quem voce faz esta viagem? Qual foi a tua tripulação ? Foi sempre a mesma?
JS: A tripulação sempre, desde o inicio, foi a mesma, a minha familia.,Eu, minha esposa e os dois filhos. Com o correr do tempo, apareceu o problema de saude de minha Almiranta que nao esta mais constantemente conosco e o casamento de nosso filho mais velho na Australia. Assim, a tripulação hoje esta reduzida a somente eu e meu filho Atila, o Imediato e naturalmente o futuro Capitao do GUARDIAN.
Eventualmente um amigo que encontramos, ou mesmo uma carona, mas nada que seja superior a 1 mes. Diriamos uns bons amigos visitantes.

P: Antes de partir quais eram os questinamentos da familia?
JS: Os pontos de duvida de todos nos, eram sempre os mesmo, a "plata", como e dito por voces. Sempre ai moraram nossas preocupacoes maiores. Todavía, quanto aos temores, sustos e historias de terror nautico, nunca nem nos preocupamos com isto, que so faz é assustar e em nada incentivam a criar novos velejadotes de cruzeiro. Exatamente por isto que nos divertimos muito quando visitamos seu site, brincadeiras, piadas e coisas alegres, como deve ser a vida do cruzeirista a vela.

P: Teus filhos que idade tem nesse momento?

JS: O Imediato Atila esta com 30 anos e o Alexandre, o Australiano com 34 anos.

P: Teu filho mais velho mora em Australia, ele casou fruto do viagem?
JS: Obviamente, ele casou por fruto da viagem, conhecendo novos valores, abriu sua mente, passou a ter novo referencial de vida, que so é possivel se ter quando se faz uma viagem como esta. Alias esta sempre foi uma de nossas maiores ideias, dar ao nossos filhos uma oportunidade diferente de vida, e nao aquela mesma rotina do dia a dia das grandes cidades, como o foi para mim. Queria para meus filhos algo notavel, diferente e que dessem a eles uma ideia universal de vida e nao joga-los no asfalto das grandes cidades dizendo:
Te ensinei te eduquei daqui para frente é contigo ????
Minha missao de dar algo a nossos filhos foi muito maior que isto e gracas ao CAPITAO LA DE CIMA, nossa Almiranta assim tambem pensava.

P: Sombra, como fora as circunstancias que fizeram com que Alexandre Luiz acabou casando na Australia? Podemos saber?
JS: Ele estava viajando pela Australia, quando arranjou um trabalho numa fazenda. Conheceu e se enamorou da propietaria e aconteceu!!!

P: Sombra, fruto do amor seu filho Alexandre Luiz formou sua familia na Australia. Como se viu com menos um tripulante a bordo? Como Pai e Capitao?
JS: Meu caro Pepe, tudo nesta nossa viagem, acontece por determinação do CAPITAO LA DE CIMA, se nao aceitarmos estaremos sendo muito egoístas. Os filos sao nossos ate certo ponto, cada qual tem a sua liberdade de escolher seu caminho, e nos devemos aceitar esta decisao.
Como Capitao estamos preparados para termos condiceos de levar o GUARDIAN avante mesmo em solitario. O que esperamos nunca venha a acontecer.

P: O que voce tem estudado na tua vida?
JS: Sempre estudei arquitetura e esta foi a minha vida, alias ate hoje continuo estudando, pois arquitetura é a vida, é o conhecer culturas e o analisar espacos e suas consequencias, enfim, para nos ser arquiteto foi uma dadiva de DEUS.
Hoje, continuamos no estudo da arquitetura, ainda que ja aposentado. Entretanto procuramos retratar toda esta arquitetura que é o cruzeiro a vela pelo mundo, em livros. Assim, escrevemos como um condenado, livros, textos ate em simples emails, a fim de transmitir toda esta fantastica aventura em seus minimos detalles. E, mais que isto, incentivar para que outros tambem venham a viver desta forma, este sera sempre nosso maior objetivo, fazer mais cruzeiristas a vela pelo mundo.
Se com esta entrevista a voce, irmao PEPE, conseguirmos que mais velejadotes de cruzeiro partam pelo mundo ja teremos alcancado nosso objetivo.
Justo por isto participamos de grupos na internet, para mostrarmos que nada é complicado, que esta ao alcance de todos. Fomos dos primeiros velejadores a dar a volta ao mundo e ainda o fazendo, que participamos de grupos na internet.

P: Como arquiteto voce projetou e construiu?
JS: Pepe, foi uma vida inteira "arquitentando", hehehehe.
Construimos muita coisa, fizemos como todo arquiteto, projetos mirabolantes, que nunca sairam do papel, mas deixamos alguna coisa. Como exemplo o Edificio do BNH no Rio de Janeiro, onde trabalhamos como arquiteto na sua construção , antes de irmos trabalhar com o Velho Pai, em Vassouras, onde prometamos e construimos todos os complexos pavilhonares da Universisdade Severino Sombra. Mas, temos muitos projetos construidos de habitacoes, principalmente em Maceio.
Entretanto o projeto maior foi este de nossa viagem.
Fomos arquiteto do Banco Nacional da Habitação e depois de sua extinção, passamos para a CIAXA ECONOMICA FEDERAL, onde ate 95 trabalhamos e nos aposentamos para entao comecar a viagem.

P: Com que idade deixou a tua profissao de arquiteto?
JS: Me aposentei exatamente com 33 anos de profissao e 3 anos de estudante, isto devido a trabalhos que exercemos em areas consideradas de risco, alem disto o CAPITAO LA DE CIMA deu aquela ajuda, a CAIXA lancou um Programa de Demissao Voluntaria, em 1995, isto vinha a exatamente favorecer a termos de "plata" para comprarmos o sonhado veleiro. As vantagens eram muitas e aderimos ao PADV, como chamavam, e logo depois nos aposentavamos. Assim teriamos o valor necesario para compra do veleiro e tambem para vivermos com nossa pensao durante a viagem.

P: Quanto dinheiro voce tinha ganho e o que significou este deixar de trabalhar?
JS: Na verdade como colocamos na pregunta anterior, ganhamos na saida da CAIXA, o necesario para a compra do veleiro e ainda uma reserva, a manutenção da viagem seria feita com nossa pensao, alias como ate hoje acontece. So depois é que conseguimos alguns patrocinadores que nos ajudam a termos mais folga financeiramente. E agora ja sendo um pouco mais conhecidos no Brasil, a venda de nossos livros sempre da uma ajuda. O deixar de trabalhar significou estarmos livres para levar a termo nosso projeto.

P: Foi facil ou dificil que teus filhos e esposa subissem ao barco com voce?
JS: Este foi um aspecto fundamental de nosso projeto, fazer ver a minha Almiranta, que chamamos de BIIITA, e aos filho, que aquele era um novo projeto de vida, bem mais rico e saudavel. E, com as coisas colocadas sempre no sentido maior, nao no de dar ordens e obedecer, todos se agregaram de forma total ao projeto. Assim o barco passou a ser o sonho de toda a familia. E todos subiram no amigao com o maior dos prazeres.

P: Em navegação que habilitação voce tem? O que voce estudou?
JS: Em termos de Carteira de Habilitação , somos Capitao Amador, desde 1981. Procuramos sempre estudar muito a navegação , ler muito e ate acabamos dando aulas de navegação astronomica e a tradicional.
Ate hoje continuamos estudando navegação , pois com as novas tecnologías eletronicas, surgem a todo dia equipamentos fantasticos que tornam sua viagem muito mais segura e tranquila, alem de confortavel. Assim, o estudar é sempre uma constante. Como sempre colocamos, no mar nunca se sabe tudo, é o eterno aprender e adquirir mais experiencia.

P: Por aonde voce velejou antes desta viagem?
JS: Excelente pregunta Pepe, pois muitos pensam que saimos por ai loucamente. Nao!!!
Quando partimos para nossa viagem ja haviamos velejado toda a costa do Brasil, de Joinville, em Santa Catarina, ate Maceio, num catamara, em 1988. E, antes velejado de Belem do Para ate Maceio, numa escuna de 35 metros, Alias nesta viagem fomos dos pirmeiros veleiros brasileiros a adentrar aos mangues do norte do Maranhao, conhecido como furos do Maranhao, isto em 1985.
Alem disto em Maceio viviamos mergulhando e velejando sempre.
Ou seja, quando partimos para a viagem tinhamos uma boa experiencia de cruzeiro, velejar e viver a bordo.

P: Quando se iniciu a viagem de voces, qual o recorrido que voces fizeram e quantas milhas tem velejado ja?
JS: Como colocado na questao anterior, ja haviamos velejado por quase toda a costa do Brasil. Alem, de alguns accidentes de percurso. Hehehe.
De tudo tiramos sempre uma experiencia e quando saimos para a viagem ja tinhamos umas 10 mil milhas velajadas, mesmo porque nao iriamos de forma alguma colocar nossa familia num projeto deste tamanho sem que tivessemos nenhuma experiencia.
Costumamos colocar sempre em nossos escritos que os elementos maiores para se fazer um bom cruzeiro a vela pelo mundo sao:
EXPERIENCIA, BOM SENSO, PACIENCIA E DETERMINAÇÃO.
Hoje nosso LOG de bordo ja tem a marca de 35 mil milhas navegadas, e acreditamos cegar ao Brasil com cerca de umas 70 mil.

P: Em relação a viagem e a navegação pelo Pacifico, que lugares destacados chegaram e o que foi mais dificil da navegação ?
JS: O océano Pacifico de uma forma bem ampla, mais o Pacifico Sul, é o paraíso de todo velejador. Nao foi por coincidencia que Balboa o chamou de Pacifico, ele é realmente PACIFICO. Isto obviamente quando das epocas certas de se velejar. De maio a outubro, no Pacifico Sul.
Sao' sempre ventos amenos, tranquilidades, locais de indescritiveis belezas, é o paraíso. Algo jamaIs esquecido por aqueles que velejaram em suas aguas.
No que diz respeito a maior dificuldade no velejar realmente, a area de TONGA e FIJI tem que se estar muito atento, exatamente por acidentes que nao estam bem marcados nas cartas nauticas e outros que aparecem de repente. Como vulcoes submarinos que entram em erupção .
Quando navegavamos em TONGA, um vulção entrou em erupção cerca de 300 milhas de onde estavamos e foi algo bem diferente, em nossas coordenadas o mar parecia uma panela fervendo, cheia de bolhas no mar e isto aconteceu a noite, pensavamos se tratar de alguma baleia ou coisa assim. De imediato ligamos o motor, pois afugenta as baleias, e a coisa continuou por umas 3 horas, depois é que fomos ter informação de se tratar de um vulção e muito longe de onde estavamos.

P: Em relação a viagem e a navegação pelo Indico, que lugares destacados chegaram e o que foi o mais dificil da navegação ?
JS: Quando iniciamos nossa velejada pelo Océano Indico, vinhamos cheios de temores e apreensoes. As historias contadas eram sempre assustadoras, aquele fato que comentamos anteriormente do terrorismo nautico. E acabamos vendo que nao é nada disto. O Indico é um excelente océano, tal e qual o Pacifico, tem suas epocas e suas manhas, a "milonga", como os irmaos Argentinos dizem. Se voce observar as epocas e suas informacoes, tudo é tranquilo.
Sim, Pepe, o Mar fala com agente, nos diz tudo e com antecedencia, o problema é voce saber entender a sua linguagem.
Aquí nesta entrevista voce tem o amigo Hector fazendo a tradução para o español, no mar voce tem outros elementos para fazer esta tradução para voce. A mudanca de ventos repentina, a mudanca da ondulação , o crescimento de ondas, a passarada voando. Enfim para quem sabe ler, pingo é letra!!!
O navegar pelo Indico, junto a sua zona do Ecuador, nao oferece nenhum problema e mesmo assim ainda tem as epocas de monsao do norte. Enfim tem tambem seus fatores que se observados nao ha nenhum problema.
Agora mesmo aquí na Malasia e Tailandia na epoca de novembro a abril se navega na costa oeste e de maio a outubro na costa leste. Sempre se tera bom tempo, pouca chuva e ventos brandos, com o mar sempre espelhado.

P: A tua vida como foi prevista; velejar, ou velejar de vez cada tanto?
JS: Nossa previsao para toda a viagem, desde seu inicio, foi navegar conhecendo o maior numero possivel de locais. Tradicionalmente aqueles ja navegados por outros velejadores. Entretanto, procuramos tambem visitar locais onde antes velejadores nao estivessem estado. Ai e neste caso, fala mais alto o sabor da aventura, pois o velejar em cruzeiro pelo mundo é na verdade uma notavel aventura.
Quando falamos em aventura, nao nos referimos ao fato de fazer uma coisa sem pensar, diriamos ao contrario, fazer uma aventura planejada, conhecendo os detalhes e minimizando os possiveis riscos. Diriamos uma aventura bem calculada, com seus pros e contras.
Assim, ao contrario do que muitas pessoas pensam, nao estamos sempre velejando, diria ate mais, estamos muito mais ancorados e em portos do que navegando.
Nossa ideia desde o comeco, o projeto inicial, foi fazer a volta ao mundo, e nao correr em volta do mundo. Conhecer o maximo possivel dos locais que estivermos.

P: Voce faz muita vida em terra?
JS: Muita mesmo. Conhecemos o povo, sua cultura, seus habitos, tradicoes e forcosamente vamos comparando com o nosso viver e nosso pais. É sempre uma classe extraordinaria, viver e conhecer uma cultura diferente, aprendendo suas coisas boas e seus ensinamentos, isto é fantastico. Principalmente agora aquí no oriente, onde tudo é totalmente diferente do ocidente, de nosso modo de pensar. Temos tido licoes que nunca mais serao esquecidas.
Isto so é possivel se realmente vivermos em terra, nao morando, pois o GUARDIAN é a nossa casa e nao precisamos de outra. Mas, vivendo desde o GUARDIAN todas estas diferentes formas de cultura que uma viagem como a que fazemos nos oferta.
Assim, o viver em terra ou cerca dela é o nosso velejar.

P: Sentem saudades de algo em particular?
JS: Obviamente e muitas, afinal o conviver com saudades é a maxima do ser humano. Vivemos sempre sentindo saudades, quer no viver na cidade ou no velejar em cruzeiro.
É bem verdade que numa viagem como a nossa as saudades sao muito mais acentuadas.
Sentimos saudades e muitas, quando nossa Biiita nao esta conosco. Sentimos muitas saudades dos amigos que deixamos no Brasil, aqueles que gostariamos estivessem ao nosso lado dividindo estes inesqueciveis e maravilhosos momentos que vivemos. E, sentimos saudades dos amigos que fizemos durante a viagem e deixamos em cada local. E, que hoje fazem parte da esteira de espuma deixada pelo GUARDIAN. Naquele branco espumar a nossa popa, estao presentes as amizades que fizemos ao longo do caminho e que sao parte da historia do GUARDIAN.
Quantas aguas salgadas se misturaram, a do mar e a do homem, quando nos despedimos de amigos num porto, numa ilha deserta, e sabemos que la nos nao volveremos, nesta vida, por certo.
Este somatorio de amizades, vao compondo o maravilloso sabor que nos da as saudades.

P: Quais sao os piores momentos que tem passado velejando?
JS: Nunca tivemos a menor duvida em afirmar que os piores momentos sao quando estamos sem nossa Biita, nossa Almiranta. Ela estando ausente sempre é a eterna solidao. Mas, como o CAPITAO LA DE CIMA, sabe bem das coisas, provavelmente esta nos trabalhando para ganharmos um premio maior no futuro, pois ELE é o PAI, e so bem quer a seus filhos. Pelo menos para nos esta é e sempre sera a ideia maior do CAPITAO LA DE CIMA.
Tempestades e coisas deste tipo, somente uma vez quando cruzavamos o Mar de Coral, entre Salomao e Australia. Cerca de 12 horas de mal tempo e que nao estavm previstos. Uma experiencia que nos ensinou em muito, e sem traumas e temores mayores, pois sabiamos como trabalhar nosso amigao.
É claro que medo sempre existe, pois faz parte do ser humano, porem voce pode administrar este medo, evidente que ele estara sempre presente, porem sob controle.


P: E ficando no porto, que foi o pior que voce viveu que nao vai esquecer jamais?
JS: Inegavelmente foi no Hawai. Ainda que o local seja dos mais belos, os "donos do mundo" la estao e a casa é deles, e tivemos problemas com o Customs americano que nao desejamos para o pior de nossos inimigos.
Alias em nosso livro, o primeiro da serie, O GUARDIAN VELEJANDO O PACIFICO, narramos em detalles aquele que foi o pior e jamais esquecido momento de nossa viagem, quando fomos tratados da pior forma possivel, como bandidos, tendo rifles apontados para minha esposa e filhos de costas em um muro.
Os americanos do norte na sua grande maioría e com poucas execoes, nos vem aos sul americanos, como subservientes, escravos e bandidos, isto nao so vimos la, mais em toda a viagem, o que nos fez mudar diametralmente o pensamento que tinhamos dos YANKES.
Hoje sabemos perfeitamente conhecer suas maneiras e forma de agir e com a tripulação do GUARDIAN nao ha espaco. Tivemos momentos de tensao jamais esquecidos na terra onde a maxima, para eles somente, é a LIBERTY!!!

P: Qual foi o momento mais belo desta viajem de sete anos?
JS: Nossa viagem sempre foi repleta de momentos inesqueciveis. Entretanto, aquele que ate hoje nos fala mais de perto foi quando estivemos nas Ilhas Cook, no atol chamado Palmerston, la conhecemos a amizade inesquecível, eramos tratados como irmaos na expressao maior da palavra, dinheiro, plata, de nada valia.
Todas as noites jantares e festas tudo ofertado com prazer e amizade. Este inegavelmente foi o momento mais lindo de nossa viagem. Alexandre e Atila estavam no ceu e pode ser bem provavel que a familia Sombra tenha deixado por la algum descendente. Hehehe!!!!!

P: Como voce preparou o viagem?
JS: Como colocado anteriormente, tudo foi muito analisado e projetado. A ideia eramos ter e viver uma vida sem sustos e traumas, que o velejar pelo mundo nos oferta. Os ultimos tempos em terra foram os mais complicados, alugar a casa, vender coisas que nunca mais utilizaríamos, mas que fizeram parte de nossas vidas e guardamos tao somente aquilo que nos era mais intimo.
Hoje é que vimos ter sido bem posto estes detalles, pois fatalmente chegaremos ao Brasil ja com idade para partir para o cruzeiro definitivo, e como sempre colocamos, desta vida nada se leva, pois caixao nao tem gaveta. O que se leva é a experiencia, erros e acertos, que nas vidas futuras iremos acertar as contas.

P: Em que voce colocou maior atenção ao preparar a viagem?
JS: A seguranca sempre foi a maxima dentro do GUARDIAN, e ate hoje ainda é nosso iten NUMERO 1. Assim em toda a preparação este aspecto era o que mais atenção sempre tivemos. E, gracas a isto, nunca tivemos um problema serio a bordo, nada que nao pudesse ser resolvido com calma e com precisao.

P: Teve falhas na preparação do viagem? Algo que voce nao tenha contemplado?
JS: Básicamente tinhamos tudo bem planejado, o unico e maior problema sempre foi a variação do dólar, este para nos é na verdade o maior furação . É de onde vem nossos sustos e temores. Imagine que estavamos na costa leste da Australia, fazendo nossos planos para equiparmos melhor o GUARDIAN, pois la tem muita coisa boa e barata, no mercado de usados. De repente, o dólar passa no Brasil de 1 Real para 2, isto da noite para o dia perdiamos em muito em nossa aposentadoria, em nossa pensao. Tal fator é que nos levou sempre ter como objetivo alavancar solucoes alternativas de renda a fim de que nossa pensao nao seja tao fundamental. Isto so ira acontecer depois que voce se tornar mais conhecido.
Hoje com cerca de 8 anos de viagem, ja no Brasil temos algum conhecimento. Nosso site ja ultrapassou a casa da 30 mil visitas, temos diversas paginas que falam do GUARDIAN, na internet, as principais Revistas no Brasil, Nautica e Velejar, tem materias nossas, ja participamos de entrevistas nos principias Programas de Televisao do Brasil, e ate em Revistas estrangeiras tivemos materia, estivemos em dois RioBoat Show, convidados como palestrantes. Alem disto nossos 2 primeiros livros na formatação tradicional ja se encontram esgotados. Isto é fundamental para se conseguir novos patrocinios pois as empresas querem ter sua resposta comercial e é neste nivel que pensam.

P: Biiita, Partir foi duro ou v se juntou ao projeto fazendo-o seu?
B: Não foi difícil partir. Também tenho esse lado aventureiro e gosto de desafios. O importante para mim é que a família estaria unida e iria vivenciar algo fantástico.
Senti que seria possível a concretização desse sonho, há muito acalentado pelo meu marido. Percebi que seria uma experiência muito interessante e enriquecedora para todos nós. Não há nada mais gratificante do que conhecer novos locais, povos, o peculiar "modus vivendi" de cada um e suas respectivas culturas.
Preparei-me com muito empenho, lendo, estudando, obtendo minha carteira de Arrais-amador, enfim me dedicando ao máximo para que pudesse colaborar, efetivamente, na realização desse projeto e , mais que tudo, pudesse ser uma boa companheira de viagem.

P: Biiita , Alexandre, seu filho mais velho que mora na Austrália, como foi que viveu a idéia da viagem?
B: O nosso filho Alexandre sempre foi entusiasmado com essa idéia da viagem. Ele também tem esse lado aventureiro.
Como é trabalhador, colaborou muito na reforma do nosso veleiro, feita lá em San Diego , na Califórnia. Toda a família participou dela, mas na nossa ausência, ele ajudou e acompanhou toda a pintura externa do Guardian e colocou-o na água novamente. Fez um bom trabalho!

P: Como viveu o Átila, refiro-me à idéia de sair velejando e navegando pelo mundo?
B: Apaixonado pelo surf, desde criança, o Átila foi o que mais se mostrou feliz e ansioso com a idéia da viagem. Não via a hora de se lançar ao mar...
Teria, assim, a fabulosa oportunidade de surfar as melhores ondas do mundo, o maior sonho de todo surfista.
Sempre deu o melhor de si, ajudando na preparação do Guardian para a viagem. Aprendeu a aplicar o verniz com perfeição e continua, até hoje, fazendo toda a manutenção , não só do verniz, mas também de tudo que é necessário. Tornou-se um ótimo marinheiro!

P: O que sente uma mulher que deixa tudo, o habitual, para subir num barco com sua família e sair correndo o mundo?
B: Não me preocupei, em nenhum momento, em deixar para trás o meu conforto, coisas materiais, minha rotina de vida estável, pois tinha a expectativa de que vivenciaria momentos únicos. Desvendaria novos caminhos, alargaria meus horizontes, ao lado da amada família. Isso seria bem mais valioso que tudo, pois minha família é o meu maior tesouro.
Não há nada mais sublime para uma mulher do que o amor.
Senti-me muito orgulhosa do meu marido, o competente, forte e determinado Capitão Sombra e dos meus destemidos, corajosos e dedicados filhos e por estarem todos em torno do mesmo ideal.
Com muita confiança no capitão Sombra, profunda fé em Deus, imenso amor à minha família e muita energia positiva, fiquei feliz em embarcar no Guardian e sair velejando pelo mundo.

P: Qual era sua atividade em terra firme ? Conseguiu continuá-la a bordo?
B: Eu trabalhava como programadora de computador de grande porte, na Prefeitura de Maceió.
Não pude continuar essa atividade a bordo, pois no início da viagem, nem computador tínhamos.
Porém, como esposa e mãe, realizava as tarefas básicas , tendo sempre a preocupação com o bem- estar da família. Procurava ser útil, estava sempre atenta e colaborava em tudo que fosse preciso para tornar mais agradável a vida a bordo.

P: Atila, esta pergunta é para voce: Como foi o impacto em voce da ideia de velejar pelo mundo?
A: Para mim foi uma ideia espetacular.

P: Atila a voce como filho te deram a opção da viagem em cruzeiro?
A: A viagem de cruzeiro cresceu dentro da familia naturalmente, entao ja era o nosso destino, so tive que acompanhar o tempo.

P: O que pesava mais, a ideia de viajar o mundo, ou de nao ficar so caso voce nao acompanhasse a familia?
A: Eu gosto muito do mar e pratico muitos esportes nauticos. Viver em um veleiro é a melhor maneira de desfruta-lo. Deixei a Universidade pela metade e dedico todo o meu tempo para o projeto de volta ao mundo com meu Pai.

P: Atila, voce vai suceder a Joao como Capitao em algums anos . O que voce fez estes anos a bordo… estudou…. trabalhou….. ou "so" velejou?
JS: O meu Pai sempre me diz, que quando dermos a volta ao mundo e chegarmos ao Brasil, continuarei a viagem com o GUARDIAN e vou me preparando para isto. Trabalho mais no GUARDIAN, e as vezes concerto veleiros de amigos. Nos lugares onde a mao de obra especializada é mais cara, sempre tive trabalho, mas sempre na parte de embarcacoes. Vou me preparando.

P: Atila…. Se voce pudesse voltar a partir, o que faria de diferente no viagem?
A: Faria tudo da mesma maneira, tudo foi sempre muito bom e certo. Tudo que se faz no GUARDIAN tem a mao de DEUS, assim nao tem porque mudar.

P: Voltamos ao Capitao Sombra… O que voce ve na gente que veleja pelo mundo?
JS: Acima de tudo bons amigos. A familia cruzeirista é muito unida, sempre uns ajudando os outros. Os egoístas sao logo conhecidos e afastados do grupo.
Normalmente sao pessoas na mesma faixa etaria, que se aposentaram ou venderam tudo, aplicaram suas economias e vivem a vida que sempre sonharam.
É claro que tem aventureiros, pessoas que partem sem nenhuma responsabilidade, o que acontecer, aconteceu, e depois acabam retornando a vida da cidade, porem é um numero muito reduzido.
Outros que pensam em correr volta ao mundo, em 5 anos fizeram sua viagem e acabaram por nao conhecer nada. Porem, cada mente tem seu pensamento. O nosso, é viver intensamente cada noite como se fosse a ultima e o novo dia como se fosse o primeiro. Conhecer novas culturas, fazer amizades viver uma vida diferente, isto sempre foi o que nos propusemos quando saimos para a viagem.

P: Com que idade voce comencou velejar?
JS: Minha primeira velejada tinha 8 anos. Foi uma tragedia!!! Pensava que iria morrer, nao via a hora de retornarmos a praia, isto num Snipe e na Baia de Guanabara no Rio de Janeiro, entre a Urca e o Imbui,. Uma experiencia terrivel, porem trouxe suas consequencias. O menino chorao, quando em terra. ficou maravillado como a vela levava o barquinho para avante. A curiosidade da crianca falou mais alto e com calma e sem traumas fomos vendo como a coisa acontecia.
Depois com o tempo fomos vendo que era algo notavel. Porem `a epoca, vela era coisa de millonario e nos nao tinhamos uma familia rica. Assim, o tempo foi o senhor dos remedios e muitos anos depois é que realmente comecamos a velejar como desejavamos. Meu irmao mais velho comprou um Marreco 16, e nele fomos pegando a pratica.
De mar ja tinhamos uma maior experiencia, pois durante muitos anos tivemos lancha voadeira no Clube dos Marimbas, em Copacabana, de onde saimos para nossas pescarias. Uma coisa puxa a outra e acabamos ficando definitivamente na vela.

P: Qual foi o atrativo da navegação para vc?
JS: Sem sombra alguma de duvidas, sempre foi o sentido maior de liberdade. Na vela voce sente a total liberdade de seu espirito, a comunhao da natureza com o ser humano, isto para nos arquitetos é algo fascinante. Tanto assim que inumeros sao os arquitetos velejadotes.
As pessoas que tem paixao pelas coisas da naturaza, que se alimentam do belo que ela nos oferta, fatalmente serao intimos do velejar, pois tudo isto esta inserido neste segmento nautico.
Para nos sem duvida alguma este é o grande atrativo.
Hoje ganharam maiores proporcoes, por vezes ancorados junto a uma ilha nativa, sem habitantes, como muitas que existem mundo a fora e vivemos sem a necessidade de viver preso ao sistema, isto é algo indescritível. É um premio de valor indescritivel.


P: Que outros esportes voce praticou?
JS: Sempre em nossa vida praticamos muito esporte. Isto na nossa epoca de jovem e rapaz, era algo sempre muito importante e levado a serio por nossos pais. Assim, sem que tivessemos a minima ideia do que era, iniciamos a pratica do Judo, isto numa epoca em que mal se sabia o que era e significava este nome. Isto pelos idos de 1955. Uma historia bem diferente e interessante, mas que contudo, nao cabe aquí ser relatada, pois fugiria totalmente ao tema maior da entrevista.
Acabamos vivendo intensamente este esporte notavel, onde atingimos um bom nivel tecnico, recebemos a faixa preta 3* Dan, depois iniciamos o conhecer de outras tecnicas, como o Aikido, o Jiu Jitisu, o Goshin Jitsu e estivemos visitando o Japao, onde nos aprimoramos bastante..
Tecnicas que em muito me auxiliaram a ser uma pessoa atenta ao seu redor e sobre tudo a respeitar as pessoas sem contudo ser subserviente.
A mentalidade do Bushido, que fez com que o Japao derrotado na grande guerra se levantasse e hoje é uma das grandes nacoes do mundo, sempre nortearam onzas acoes, e ate hoje o fazem.

P: Antes deste barco, que outros barcos voce teve?
JS: Na verdade nosso barco sempre foi o Hobby Cat 16, veleiros maiores eramos sempre carona nos dos amigos mais abastados, porem sempre velejando como o amigo pidao:
- Vai sair para velejar fulanso, tem vaga para mais um???
E iamos vivendo a vida de carona e aos poucos fomos crescendo e conhecendo, onde entao as coisas mudaram e nos eramos chamados para velejar. Ja estavamos com a habilitação de Capitao e professor de mavegação , as coisas entao se transformaram.

P: A tua vinculação com a Internet, nasceu antes ou depois de ter iniciado o viagem?
JS: Isto é otimo. A internet e a computação !!!
Nos ultimos anos de trabalho eramos chefe, Gerente de Saneamento na CAIXA em Alagoas, tinhamos na nossa mesa um belissimo e moderno computador, que tinhamos verdadeiro pavor, olhavamos aquilo como se a um monstro de 7 pernas e 10 cabecas. A resposta sempre era a mesma:
- Isto nao é coisa do meu tempo!!!
E me escafedia rapidamente!! Chamava a secretaria e ela que domasse aquele monstruoso animal.
O Fax era nosso instrumento preferido. A CAIXA investindo pesado nos cursos de computação e aperfeicoamentode seu pessoal e nos fugiamos destes como o diabo da cruz.
Anos mais tarde, na Australia, é que fomos tomar conhecimento da notavel peca que é o computador para o velejador de cruzeiro. E, pagamos caro por destratar tanto a este incrivel amigo dos navegantes. Tivemos que pagar horas de cursos e em ingles, aprendermos pelo caminho mais duro, o das tentativas, ate chegarmos a um nivel que nos desse maior flexibilidade e intimidade com esta fantastica maquininha.

P: Deixando de lado a simples e pura comunição , voce considera que ha uma adição de muitos velejadores a navegar pela Internet? Por que?
JS: O computador a bordo de um veleiro hoje em dia é fundamental. Voce tem a navegação com uma precisao extraordinaria. Pode ajustar todos os seus tempos de manutenção de tal sorte que quando esta na hora de trocar qualquer peca tem a informação e o alerta de imediato. Pode arquivar informacoes, catalogos de pecas, etc.
Alem disto pode ver seu cinema, escrever seus textos e livros. Criar coisas novas e por vezes responder a entrevistas como esta que agora prazeirosamente fazemos para voce. Hehehe!!!!
Tanto Assim que hoje 99,99% dos veleiros de cruzeiro estao equipados com computadores a bordo.
Hoje diriamos sem medo de estar faltando com a verdade que computador a bordo é um fator de alta seguranca.

P: As vezes tenho a impressao de que voce deixa internet para levar o barco para outro lugar e depois de ancorar voce esta novamente frente a tela do computador o que tem de certo isto?
JS: Hehehe…muito boa esta sua impressao hehehe!!! As vezes pensamos o mesmo, hehehe!!!!
Voce pode imaginar Pepe, como é o matar as saudades quando recebemos uma email da Biita massageando seu coração velho e saudoso com aquelas palavras tao doces que nossas Almirantas com a maior das experiencias femininas nos dizem ????
Nao ha internet melhor!!!!
Falar com irmaos queridos, pessoas do outro lado do mundo, as vezes ate em tempo real e a viva voz, isto é extraordinario, encurta as distancias e nos sentimos tao perto de todos.
Olha so agora, os irmaos Argentinos, lendo esta entrevista poderao manter contato conosco, e estamos do outro lado do mundo. Na Tailandia, um dia na frente.
Nao nos cancamos de colocar que este novo seculo é o da comunicação esta maquininha e a internet, tornou o grande planeta Terra numa minuscula bolinha, onde de imediato se tem informação de qualquer local de nosso planeta.

P: Sombra, voce pertence a varios grupos de velejadotes na Internet . O que tem dado isto a voce, pertencer a estes grupos?
JS: O maior fator de todos é na verdade levar ao conhecimento dos velejadores e daqueles que nutrem este mesmo sonho que realizamos, que nada é complicado, tudo é muito facil. Fizemos a nos uma promessa muito intima, que passou a ser nosso objetivo permanente. Fazer mais cruzeiristas a vela pelo mundo e que eles nao encontrem a falta de informacoes que tivemos.
Por muitas vezes fomos mal comprendidos recebiamos grosseirias, pois a inveja humana é terrivel e alguns poucos acham que queremos aparecer e coisas deste tipo. Ja estamos muito vlehos para tal. Quando jovem ate se comprende mais com a idade de 60 anos seria ate uma piada de mal gosto.
Como comentado em outra questao, fomos o primeiro velejador fazendo ainda a volta ao mundo em seu veleiro que manteve e mantem contato quase que diario com grupos na nternet.. E se isto agradou a muitos, a um reduzido numero causou uma inveja terrivel. Aqueles sabichoes nauticos, que sabem tudo e dscordam de tudo. Pessoas que sao capazes de entrar no site do Pepe Fuera de Borda e nao rirem e acharem coisa sem graca. Dizendo melhor, estao de mal com a vida!!!
Pessoas que criticam abertamente aos outros, tem ate um site de apontar erros dos outros, destes temos que ter é pena.
Entretanto ao participar destes Grupos tambem aprendemos muito, alias é o que mais fazemos, aprender e sempre.

P: Na tua opiniao, o que mantem vigente a um grupo de navegantes de Internet?
JS: Acredito, depois de boas e mas experiencias vividas em grupos nauticos da internet. Que deve-se ter sempre um tema basico para se discutir, coisas importantes. Ou seja levar a motivação ao grupo. Isto nao é muito facil mas estamos tentando fazer em nosso grupo Guardianboat. Assim, todas as 5as feiras apresentamos um texto novo sobre diversos aspectos de nossa viagem e do velejar em cruzeiro.
Isto tem nos mostrado que realmente é muito salutar.
É claro que se estando num grupo de altas mentalidades e de bons irmaos e Almirantas isto facilita em muito, a palavra maior sempre foi e sera o respeito e a nao agressao a quem quer que seja.
O computador ao nosso ver tem esta grande desvantagem. Os fracos de carater se tornam gigantes, e os covardes viram herois, por tras da telinha. E voce de repente é agredido por jovens com a metade de sua idade e outros dissabores.
Quando se quer manter uma boa conversa e sem criar ruidos negativos ao grupo, se faz em PVT e nao ha coisa melhor.
Em muitas, mas muitas vezes mesmo, recebemos mais emails em PVT do que nos grupos que participamos.
Entretanto a palavra maior é o "COMPANHEIRISMO", isto aprendemos bem a viver quando durante mais de 20 anos participamos ativamente dos Lions Club…estes grupos na internet, tem muito dos Clubes de Lions.

P: E o que leva a diminuir ou "caida" de um grupo nas preferencias dos participantes?
JS: A meu ver a falta de educação na internet é o primeiro. Depois a sempre mesma coisa, o disco nao muda, é sempre o mesmo. Gera a monotonia!!!
No nosso humilde entender, a motivação é algo fundamental e nisto o papel dos moderadores é muito importante, estar sempre criando mecanismos que facam o grupo estar atento, interessado. Caso contrario sao as mesmas perguntas e as mesmas respostas.
Hoje a grande maioría dos grupos esta com seu acesso restrito, exatamente para evitar pessoas desagregadoras, que voce, e muitos membros da internet que participam ativamente ja conhecem. Pessoas que vivem trocando de nome para adentrar aos grupos e criar as maiores confusoes, ou seja o desmacha prazeres!!!!!
Nos aprendemos muito na internet, nao so na parte nautica mas e principalmente na parte de relacionamento humano. Tivemos duras licoes, algumas ate bem merecidas outras fruto da inveja e maledicencia. Mas, sem duvida alguma em cada uma destas licoes tiramos uma extraordinaria experiencia.
Aquilo que comentamos anteriormente nunca se é velho para se aprender, a internet nos prova isto, pois é inegavelmente uma das maiores escolas de aperfeicoamento humano que conhecemos!!!
Quer um exemplo?????
Esta exatamente aquí nesta entrevista. Conhecemos a voce, nosso estimado "hermano" Pepe ja ha um bom tempo, sempre mantivemos o bom relacionamento, tratamos um ao outro com simpatia e fidalguia e nem nos conhecemos mais intimamente. Talvez se cruzarmos com voce em Buenos Aires nem saberiamos ser o grande e super Pepe Fuera de Borda. A internet nos facilita a conhecer as pessoas por dentro e nao sua aparencia fisica, que pode impresionar ou nao.

P: Como voce utiliza a internet na tua comunição pessoal?
JS: O mais que podemos!!!!! A internet para nos é um elemento minimizador das saudades.
Quantas mensagens diarias recebemos em nossos emails!!!!! Pessoas amigas, outras desconhecidas que nos fazem sempre as mais diversas perguntas. E, procuramos responder a todos sem distinção , mostrarmos sermos uma pessoa normal, sem orgullos e vaidades. Isto para nos é basico, sair logo para ofertar a amizade, o abraco o bom aperto de mao.
Para nos todo ser humano é uma maquina fantastica e maravillosa ate que se prove o contrario.

P: Como voce utiliza a Internet na tua navegação ?
JS: A navegação pela internet nao temos pois nao dispomos de internet a bordo. Fazmos tao somente nossa navegação pelo computador, como abaixo comentamos.
Nos temos o Programa C-MAP e o Capitan, Na verdade utilizamos mais o C-MAP, por ser mais facil de trabalhar. Um de nossos GPS esta ligado ao computador, assim poderemos a qualquer momento termos as posicoes, na carta, os tempos, distancias, acidentes geograficos etc. Entretanto isto consome muita energia, pois nosso computador é um Desktop. Mais forte e menos afeto a problemas de marezia, alem de ser mais facil sua manutenção .
Normalmente fazemos uma print dos detalhes que desejamos que as cartas nauticas apresentam em menor escala, para qualquer duvida. E colocamos junto a carta nautica.
Quando em travessias. ai sim, estamos mais atentos e ligamos o computador ao GPS e ao Auto Helm 4000, e estamos sempre carregando as baterias, duas vezes ao dia com nosso gerador Honda. Sem necessidade de uso do motor principal. Alem disto, aproveitamos quando em travessias, para manter a geladeira sempre conservada. Em portos ou em Marinas , quando se tem forca de terra ai a coisa se torna normal.

P: De onde voce opera a internet? De internetes Cafes, casas privadas, ou do proprio barco?
JS: Nossa internet é toda feita em terra, em Cibers Cafes ou eventualmente na residencia de amigos. Que nos favorecem com este apoio.
No GUARDIAN ainda nao temos internet pois como nosso volume de correspondencia é muito grande, ao ponto de termos 2 emails, os sistemas atuais sao muito deficentes ou entao carissimos.
Todavía nao temos duvida alguna que nos proximos anos aparecera algo revolucionario neste mister e sera igual ao GPS, ira transformar todo este processo atual. Temos informacoes que a ICOM, japonesa, ja ate tem este equipamento pronto, esta so aguardando o mecado se acalmar para lancar seu produto. Algo como a intenet em nossa casa, brodband, normalmente e com um custo igual. Isto fara uma grande diferenca e tambem causara tremendos prejuizos as atuais ofertas. Fato pelo qual a coisa ainda esta devagar.

P: Quanto gasta de Internet por mes?
JS: Pepe nao é muita plata. Hehehe!!!!
Gastamos em media cerca de US$ 200/mes, aproximadamente 6 dolares por dia, se tanto. Quando estamos navegando, o custo obviamente cai em muito, porem ficamos sem informacoes e noticias o que nos causa um certo desconforto. A internet aquí fora nao é muito cara, é vista como um servico de uso da população.

P: A tua vida fez voce ter recorrido portos e paises que desde outros lugares do mundo qualificar de "exoticos" .O que nestes povos que voce foi mais chamou a tua atenção?
JS: Inegavelmente o local que nos chamou mais a atenção , cativou em tudo foi Bali, a Ilha dos Deuses. Tanto que nossa ideia era estarmos la 6 meses e acabamos ficando 2 anos.
Bali é fantastica, algo indescritivel, sobre todos os aspectos.
Nosso livro O GUARDIAN EM BALI, que esta sendo vendido na formatação digital é em sua grande parte a apresentação da cultura balinesa, que nos deu um trabalho muito grande para se fazer a pesquisa.
Bali marcou profundamente toda a familia e nossa viagem.


P: O que tem de diferenta entre eles e nos?
JS: A cultura oriental e voltada muito mas para as coisas da mente, do ser, do espirito, e nao tao materialista do tudo querer, o ter, o poder.
É algo muito diferente de nossa mentalidade ocidental materialista ao extremo. A eterna luta pelo ter e cada vez mais, independente de pisar nas pessoas para subir e outras baixarias que vemos. Isto nos causou muita especie e a escola foi em Bali, la comecamos a conhecer a verdadeira filosofia oriental e obviamente nos apaixonamos.

P: O que tem de Igual a nos?
JS: Meu irmao Pepe, vemos muito poucas coisas iguais a nossa cultura. Somente o lixo emanado dos Yankes, MacDonalds e coisas deste tipo.
Quanto a isto nao ha jeito esta em todo mundo. Ate que na Malasia ouvimos uma frase que nos faz pensar ate hoje, dizia mais ou menos assim:
- Depois que japones pintou cabelo de vermelho, hindu come no MacDonals, invadir o Iraque para que ?????

P: Tem adotado costume de algum povo que voce foi? Por que?
JS: Para dizer a verdade, muito costumes vimos, coisa ate de muita expressao, como artezanato e por ai. Na verdade o fundamento maior, o sentido de espiritualidade de ter a todos como irmaos isto é muito dificil conviver no ocidente, em nossos paises. O exemplo negativo vem de cima, basta voce olhar para os nossos lideres e olhar para o povo que ve a coisa toda estar fundamentada nos interesses pessoais.
Adotamos o pensar diferente, valorizar o ser humano, a te-lo como um irmao.


P: Como recebem esses povos aos velejadotes que recorrem o mundo como voce?
JS: Nossa experiencia nestes povos foi a melhor possivel, sempre fomos muito bem tratados e a recepção foi das melhores. Porem ha que se fazer uma grande colocação , nos somos sul americanos, fomos colonizados tambem, e nao colonizadores, isto é uma grande diferenca, sentimos fatalmente isto quando vemos o tratamento a nos dispensado e aos europeus e aos americanos, os novos e modernos colonizadores, os dono do mundo!!!

P: Tem tido ensinamentos na sua viagem?
JS: Pepe, esta viagem para nos tem sido uma constante escola de aprender. Nao so na parte nautica que é estupenda, mas em todos os aspectos. Vivemos a cada minuto de um dia tendo licoes da mais alta profundidade, coisas que nem percebiamos, agora ganham uma outra conotação , uma outra dimensao.

P: Qual o maior ensimamento que voce obteve na viagem ?
JS: Inegavelmente o maior fator de aprendizagm, foi vermos que somos uma poeira no universo, uma casca de nos no oceano, Passamos a ter uma noção muito maior de que nao somos nada !!!!! Isto gerou uma nova concepção de humildade, de valores. Enfim, crescemos muito na forma interior e este novo modo de pensar tem nos aberto muitas portas, pois a linguagem que falamos vem desprovida de interesses, de vaidades e orgulhos, isto realmente foi uma dadiva recebida, que passamos a cultiva-la da melhor forma possivel.

P: Qual a tontereira mais impresionante que voce teve como protagonista?
JS: Por incrivel que possa parecer, foi exatamente em Bali, no primeiro dia de nossa chegada, acabamos nos metendo numa baita confusao com um holandes, bebado, que hoje teriamos agido de forma totalmente diferente. Todavia ficou a lição , para nos e para ele, que as coisas devem ser tratadas mais sem alcool e violencia.

P: Qual ha de ser tua pessoa inolvidavel neste viagem? Por que?
JS: Conhecemos durante toda a viagem pessoas fantasticas, nao obstante todos estes grandes personagens, o que realmente mais nos chamou a atenção foi o maior lider muculmano, e Primeiro Ministro da Malasia durante mais de 20 anos, Dr, Muhamad Mahathir. Um homem muito avante de seu tempo, que conseguiu transformar a Malasia de tal forma que adentrou como um grande lider do sudeste asiatico.
Tivemos por duas oportunidades o prazer e a honra de conhece-lo pessoalmente e isto nos marcou profundamente, pela sua sensibilidade e mais ainda por sua humildade. Um HOMEM, realmente exponencial da nossa epoca.

P: De quem voce desejaria se esquecer?
JS: Esta é muito mais pessoal do que pensamos, assim nossa humildade e exercicios espirituais nao nos permitem dizer nada. Hehehehehe!!!! Colocar algo ou citar nomes é regredir em tudo que aprendemos!!!!

P: Nestes anos que mantutenção foi feita no Guardian?
JS: Temos sempre afirmado que a manutenção de nossos amigoes esta diretamente ligada e proporcionalmente ao amor que temos por eles.
Ora se voce gosta de alguem e muito, havera sempre de o tratar da maior e melhor forma possivel. Assim o que temos sempre visto e o fazemos, é estar sempre tratando bem nosso GUARDIAN, o instrumento que tornou nosso sonho em realidade. Com tal pensamento a manutenção no GUARDIAN é periodica e constante. E isto, Pepe, temos visto na grande maioria dos cruzeiristas a vela pelo mundo, estao sempre acertando ou ajeitando alguma coisa em seus veeiros.


P: Em que ponto o barco mais tem sofrido?
JS: Inegavelmente é o casco. Assim todo o ano tiramos o GUARDIAN, da agua, colocamos no seco, fazemos uma inspeção geral, checamos tudo, aplicamos a tinta venenosa e agua novamente.

P: Que menos tem afetado ao barco nestes anos?
JS: Acho que foi a parte de velas, pois elas estao sempre muito bem protegidas, o que favorece a nao termos muita manutenção nelas.

P: Voce continuara velejando a sua viagem pelo mundo, tem um ponto de finalizar? Ou um tempo talvez?
JS: Numa viagem de cruzeiro a vela pelo mundo, os planos nao sao sempre os mesmo. Hoje pensamos de uma forma e amanha, face a conhecimentos e conversas com outros cruzeiristas, facilmente se mudam os planos.
Nosso pensamento hoje, é ainda estarmos neste eixo, Tailandia/Malasia, o sudeste asiatico, mais uns 4 anos, depois rumarmos para o Mar Vermelho e conhecermos bem o Mediterraneo, quando entao rumaremos para casa, para o Brasil.

P: Voltemos ao segundo de bordo… Atila , qual a principal virtude de Joao como Capitao?
A: O Capitao é o meu Pai tambem, a principal virtude dele, para mim filho é o TRABALHO E O RESPEITO.

P: Atila… qual a principal virtude de Joao como pessoa?
A: Simpatico e sempre alegre.

P: Espero Atila me perdoe por esta pergunta….caso tivesse que por um defeito ao Capitao… qual seria?
A: As vezes muito Capitao e menos Pai!!!!

P: Atila... como foi a tua iniciação na navegação ?
A: Com meu Pai, meu irmao e minha Mae, a bordo do GUARDIAN. Nele aprendemos tudo.

P: Atila… Teu pai ve voce como continuador da tradição iniciada por ele, voce esta de acordo com isso? Voce se ve velejando o resto da tua vida Por que?
A: Sim, concordo com ele, devo continuar a tradição da familia, ja que hoje somos muito conhecidos. E tambem achei um caminho bom de se viver.
Com sua permissao, Atila…retonamos ao Capitao…
Juro por DEUS, o Atila respondeu por ele Pepe!!!!! Entreguei para ele as perguntas e ele digitou as respostas..

P: Joao, qual o maior perigo que encontra em navegação um velejador que vai pelo mar pelos lugares que vc tem feito?
JS: Sempre temos afirmado e aquí repetimos; o maior perigo para os velejadores de cruzeiro sao os navios, nao respeitam e passam por cima. Toda a atenção e fundamental ao ver navios mercantes.
Nos no GUARDIAN temos 3 experiencia com navios nada interessantes. E, se nao fosse a presenca constante do CAPITAO LA DE CIMA a nos auxiliar no que fazer, hoje nao estariamos aquí fazendo esta entrevista para o MIRANDO POR EL TAMBUCHO !!!!!!!

P: Aconteceu a voce algo em particular? (pode nos contar algunas estorias?)
JS: Vamos contar so uma para nao acabar transformando a entrevista num livro, OK????Hehehehe!!!
Estavamos chegando a costa Australiana vindos de Nova Caledonia. Nosso ponto de chegada seria no final da Grande Barreira de Corais ao sul, o recife de nome Lady Elliot, que tem um grande farol que monta 25 milhas, e um excelente referencial.
Era noite muito escura, ceu totalmente encoberto e pancadas eventuais de chuva. O vento na faixa de 15 nos.
Quando o farol comecou a entrar no visual vimos luzes de navio vindo do norte, e continuamos nosso rumo, ja que ele passaria em muito a nossa frente.
O navio vinha todo iluminado como uma arvore de Natal. E de repente, comecou a desviar em nossa direção . A cerca de 1 milha apagou todas as luzes e ouviamos o seu motor cada vez mais em nossa direção .
Ligamos nosso motor, aproamos para o melhor vento, apagamos tambem nossas luzes e saimos em disparada. Ele atrás de nos. Ate que nos surgiu a ideia do blefe.
Com umas lanternas grandes que temos colocamos papel de celofane vermelho na luz e pelo radio VHF no canal 16, com ingles muito carregado para o arabe, coisa que brasileiro faz bem contando as piadas de arabes e judeus, passamos a dizer que eramos uma lancha torpedeira dos Eemirados Arabes em treinamento com a forca naval australiana e viamos aquela ação como uma ato militar de ataque a nossa embarção .
Acendemos as duas lanternas uma sobre a outra e no Radio alertavamos tratar de misseis ar-terra-ar, que seriam disparados em poucos segundos se ele nao acendesse suas luzes e se mostrasse fora do rumo de colisao.
Como temos 2 VHF a bordo, totalmente independentes, Atila entrou no segundo com forte sotaque australiano, como sendo da forca tarefa de treinamento e autorizava a nossa lancha do Emirado Arabe a disparar imediatamente contra o navio os nossos misseis.
De imediato o navio se iluminou todo, estava cerca de meia milha de nossa popa e dando a proa se escafedeu rapido. Em toda esta situação em nenhum momento o navio disse qualquer coisa via radio.
Este fato para nos definitivamente nos colocou sermos, os veleiros de cruzeiro, o alvo preferido dos navios mercantes.
Temos um relato, desta vez nao com muita sorte, do veleiro MELINDA LEE, afundado nas costas da Nova Zelandia, por um cargueiro Coreano, que se trata de uma das maiores barbaridades no mar.

P: Em porto qual o maior temor que pode ter um velejador? Aconteceu algo alguma vez que lhe fez preocupar muito?
JS: Normalmente em portos ha sempre muita camaradagem e estao muitos veleiros juntos, de tal sorte que difculta muito qualquer problema. Nos neste particular nao tivemos maiores problemas, exceto no Tahiti que tentou o amigo das coisas do alheias, entrar no GUARDIAN, mas estavamos a postos e ao falarmos de imediato ele pulou nagua e saiu nadando como recordista olimpico. Em todos estes anos somente este fato.

P: Teve ate agora algum acidente com teu barco? ( se teve algum, pode contar ele?) Por que?
JS: Nao tivemos nada serio, pelo contrario sempre estamos muito atentos a isto. Por vezes um canal razo, uma encalhada, porem com a mare cheia tudo se acerta.
Na Australia tivemos 2 encalhes em fundo de lama, e ate por falta de detalhes da carta, ainda nao tinhamos o C-MAP. Hoje estamos muito mais bem informados e um fato de encalhe para acontecer sera muito dificil.

P: As autoridades portuarias como se comportam com os velejadotes pelos lugares que vc navegou? Voce tem encontrado numa situação dificil frente a elas?
JS: Bem, ai é complicado!!!
Os americanos sao o que ha de pior e cada vez complicam mais a vida dos velejadores de cruzeiro que navegam em suas aguas. A Australia depende, em certos locais igual ou pior que os americanos, em outros mudam da agua para o vinho.
O fato é que nos paises ditos do terceiro mundo, sempre as coisas sao simples a burcracia é rapida e sem problemas. O velejador de cruzeiro é visto como um gastador em seu pais e fatalmente é muito bem vindo.
Normalmente se leva de uma a meia hora na burocracia de entrada ou saida do pais. Isto para quem tem o ano todo de alegrias, passa ate por desapercebido.
Na Malasia, por exemplo, em Langkawi, se faz toda a papelada de entrada ou saida em menos de 10 minutos. Customs, Imigration e Harbor Master. Nos ainda levamos a vantagem de sermos sul americanos dai é festa pois nao somo colonizadores, e sim colonizados, como eles.

P: Dos povos que voce tem chegado com teu barco, qual o que voce mais gostou? Por que?
JS: Como acima colocamos Bali nos marcou muito, e agora a Tailandia e Malasia tambem tem sido bem marcantes para nos estes paises, em termos de acolhida.
No Pacifico, inegavelmente Palmerston nas Ilhas Cook foi algo para toda a nossa vida ser lembrado como algo muito especial.


P: Dos portos que voce chegou qual o menos simpatico ou agradavel que vc achou? Por que?
JS: Ai nao tem nem apelação , o pior foi o Hawai e tratar com o,Customs americano, onde para eles todo sul americano é bandido e traficante, como se o pais dele fosse uma mar de rosas!!!
De velairo em portos americanos demos nossa cota e nunca mais e ate aconselhamos aos amigos que la nunca aparecam.

P: Em suas viagens de porto a porto, qual foi o mais longo em milhas ou dias?
JS: A travessia mais longa que fizemos foi da ilha Hawai, Big Island, como chamam os gringos, ate as ilhas Marquesas, na Polinesia Francesa, cerca de 22 dias de sol e mar com 4 de calmaria na altura do Equador um espetaculo jamias esquecido, Alias esta passagem apesar de ser a mais longa, foi de tempo bom e alegrias em todo o percurso.

P: O que significa para Joao Sombra ter seu proprio grupo em internet, o "Guardianboat"?
JS: Para nos o Grupo Guardianboat, como chamamos o GG, é o ponto de encontro com nossos mais notaveis irmaos e Almirantas, la estamos em casa, sentimos em todos que la se encontram a amizade pelo GUARDIAN e pela FAMILIA SOMBRA. Sao navegantes, uns que nutrem o sonho de tambem fazer a mesma viagem, parentes, colegas de profissao, enfim gente da melhor especie. Tem irmaos Argentinos, tem um ate que possui um site de piadas e alegrias notaveis que sempre visitamos, nao é mesmo Pepe?????? Hehehe!!!!!!
Um destaque especial de nosso GG é termos o extraordinario irmao MAGA, irmao para toda hora e uma pessoa com experiencia nautica das mais soberbas. Citamos ele, pois idade é sempre um referencial de respeito e admiração para nos.

P: Como velejador, o qual voce acha seu maior merito?
JS: Para confessar a verdade nao vemos merito nenhum, pois velejar pelo mundo esta ao alcance de todos, nao ha necessidade de ser super homem, isto é algo totalmente distorcido da realidade. Se as pessoas soubessem que obedecendo as regras as coisas sao muito mais faceis do que se pensa e alguns dizem, desde ha muito os oceanos estariam qualhados de veleiros de cruzeiro, e este meu carissimo hermano PEPE, é o nosso maior sonho. Se tenhamos algum merito, que seja este o de incentivar a mais velejadores de cruzeiro sairem mundo a fora.

P: E a tua parte fraca como velejador, qual?
JS: Chi!!!! Sao tantas que nem sei por onde comecar, ficamos logo encabulados????
Acho ate melhor esquecermos esta questao, caso contrario vai ser a resposta mas longa de todas. Hehehehe!!!!

P: Em estes anos tem variado a tua alimentação e a da tripulação ? Como e teu regime de comidas ao andar por tantos paises nao tao emparendados ao Brasil?
JS: Na verdade a alimentação basica permanece sempre a de origem de seu pais. Temos a salada, o arroz, a pasta, enfim coisas comuns. No que tange as comidas locais ai esta uma das grandes alegrias, voce conhecer o tempero, a comida tradicional de cada pais, é algo extraordinario.
Aquí na Tailandia por exemplo, uma das mais notaveis cozinhas de todo o mundo, ate salada de escorpiao negro comemos e nem por isto passamos mal ou coisa parecida. Tem que se viver como diz o velho ditado:
Em Roma como os romanos. E, em terra de sapo de cocoras!!!!!

P: Tem comido "coisas estranhas" pelos lugares que vc foi com culturas diferentes?
JS: Sempre, é uma experiencia notavel, olha o exemplo que citamos na questao anterior. Agora estamos treinando para tomar sangue de cobra Naja!!

P: Falei de "Culturas deferentes". Tem feito uma coleção de elementos dos lugares ou povos que voce foi?
JS: Sempre procuramos ter no GUARDIAN, uma marca dos locais em que estivemos, um detalhe na decoração interna, coisas assim. Por vezes mandamos algumas coisas e lembrancas para Brasil, para um dia quando estivermos bem velhos, ao mirar um elemento lembramos e viajarmos pelo tempo.
Se tudo que vissemos de interessante levassemos para o GUARDIAN ele ja estaria afundado!!!!Hehehehe!!!

P: Aproximadamente, quantos portos voce tocou neste viagem?
JS: Pepe, foram muitos, nem sabemos por onde comecar. Voce pode ter uma ideia, com 4 anos de Pacifixo, parando em centenas de portos depois no Indico o mesmo, sao muitos que teriam que ter muitas paginas desta entrevista. Para voce ter uma ideia nao temos mais livro de bordo. Uns 10 volumes e passamos tudo para o computador, ficou mais leve, mais facil de se trabalhar e bem mais funcional. Olha ai outra grande vantagem da maquininha a bordo.

P: Alem de portos, quantas cidades voce tem visitado aproximadamente?
JS: Nos paises, maiores temos por norma visitar nao as grandes cidades, com exceção daqui da Tailandia e Malasia, que o ambiente é bem mais calmo.
O que notamos e que nas grandes cidades entra o fator violencia urbana e isto nao estamos muito a fim. Na verdade as pequenas cidades perto do mar é que sao e serao sempre nossos locais favoritos.
Um dos motivos que saimos para fazer a viagem volta ao mundo foi nao suportar mais viver em grandes cidades.

P: Que foi que deixou em voce a visita de tantos lugares ?
JS: Todos sempre nos falaram muito, de coisas fantasticas, mas inegavelmente encontramos em Bali e aquí na Tailandia e Malasia, locais que para nos serao sempre muito lembrados. Cada local deixa em voce sua marca, outros nem tanto, a maxima do velejador de cruzeiro ai tem seu espaco: Gostou fica, nao gostou se manda!!!


P: Ao preparar uma nova singladura, o que vc tem em conta como previsao?
JS: Basicamente, o tempo meteo, condicoes de mar, navegar nas epocas certas, a seguranca sempre em primeiro plano.
Dependendo das distancias, locais alternativos para um bom pernoite, alimentação , agua, combustivel. Enfim aquele cheque list que todos fazem normalmente.
Aquí no Indico temos adotado com norma velejar durante o dia e dormirmos ancorados a noite. As distancias sao curtas e isto pode ser sempre possivel de se realizar.

P: Do que voce viveu, qual a situação dos pescadores nos paises que voce visitou?
JS: Pescadores sao normalmente pessoas sem grandes posses. Todavia, o que ha de mais fantastico como gente do mar. Sao pessoas humildes, atenciosas, amigas e tem um sentido de uniao e amor pelos navegantes de qualquer pais muito grande, coisa fantastica.
Os pescadores sao gente abencoada pelo CAPITAO LA DE CIMA. Se no mar tiver de confiar em alguem, o faca sempre com um pescador.

P: Como voce definiria aos velejadores que como voce estao dando a volta ao mundo velejando?
JS: Definiria que todo dia é domingo, tudo é "vacaciones", viver a vida na sua grande plenitude, confiando nas pessoas e fazendo amigos, so isto ja é o bastante para se viver 10 vidas!!!! Assim pensam a grande maioria dos cruzeiristas a vela.

P: Quais sao os livros de velejadores que tem lido?
JS: No Brasil os mais tradicionais, Aleixo Belov, Marcel Ceccon e Helio Setti. Os que nos impressionaram mais. Principalmente o Helio Setti, que é o nosso estilo de cruzeiro. Aquí fora alguns que nos chamam a atenção porque estaremos velejando em locais que eles abordam em seus livros.

P: Qual o velejador que mais impactou voce pela figura?
JS: Sem duvida alguma o Slocun, um idolo de muitos velejadores, e cruzeiristas que fazem sua volta ao mundo. Nunca esuqecer que ele realizou sua viagem em epocas totalmente diferentes e muito mais dificeis.

P: A quem voce considera o maior velejador Brasileiro de todos os tempos? Por que?
JS: Na area de cruzeiro a vela, inegavelmente o Helio Setti. Diriamos sem medo de errar que é e sera sempre nosso ponto referencial. Seu pensamento de fazer a viagem volta ao mundo tem em tudo haver com nossa forma de pensar e ate com muito orgulho e satisfação , dele colhemos grandes ideias e ensinamentos,atraves de seu notavel livro.

P: A quem voce considera o maior velejador do mundo de todos os tempos? Por que?
JS: Inegavelmente para nos foi o Capitao James Cook, "O Senhor Pacifico".
Em todo o Oceano Pacifico esta a marca deste notavel navegador, que infelizmente por ser um explorador colonialista, a servico da Coroa Inglesa, teve sua morte como colonizador. Entretanto como navegador e homem do mar foi extraordinario.

P: sei que tem 20 livros que voce escreveu., Todos sao de navegação ?
JS: Na verdade Pepe, sao ja mais de 30 livros escritos ja escritos, a grande maioria sobre a viagem. Entretanto temos alguns romanceados, frutos de historias que ouvimos durante a viagem que fizemos adaptacoes.
Nossa ideia nunca foi escrever um so livro sobre a viagem, pois se tornaria muito extenso, ou entao muito se perderia. Assim partimos para escrevermos um livro sobre cada local, e isto tem sido a nossa linha, a SERIE GUARDIAN.
Ha alguns livros no entanto, que abordamos aspectos diretamente ligados ao cruzeiro a vela pelo mundo. Informacoes, analises conjunturais e dados para queles que desejarem fazer o mesmo.

P: Estos livros forom publicados…. Que repercusao Teve no teu pais?
JS: Tivemos somente 2 livros publicados na formatação tradicional no Brasil. Ambos ja se encontram egotados. A repercussao foi boa, tanto que se encontram egotados. Muitas pessoas nos procuram e enviam emails a fim de saber quando faremos a 2ª edição . Nossa ideia e estamos trabalhando neste sentido e faze-los na formatação digital, que favorecera em muito mais imagens e ainda colocarmos as musica de fundo dos locais que estivemos.
O fato é que acabamos tendo grandes problemas e dissabores na distribuição e venda, de livros, tem que se acompanhar tudo, a sempre enganos em acertos de conta e nos do outro lado do mundo a coisa fica muito complicada.
Hoje achamos a formula ideal, nossos livros comecam a ser publicados na formatação digital, a venda para download. Mais facil, mais limpo, com muito mais imagens, uma apresentação impecavel e alem de tudo com musica de fundo suavizando a leitura.
Imagine voce ou um de seus leitores, chegar a noite do trabalho, jantar e sentar no computador, colocar os fones de ouvido e navegar no GUARDIAN PELO MUNDO. Esta é a nossa ideia de livro digital.
Este link a seguir é onde se pode ter uma ideia e adiquirir os livros:
www.aguiareal.com/serieguardian/promo1/pg00.htm
La estao os 10 primeiros livros ja trabalhados por nosso irmao AGUIA REAL, arquiteto, colega de faculdade e amigo de toda uma vida. Pessoa de uma sensibilidade extraordinaria, que esta em parceria conosco colocando nossos livros preparados para o download.

P: Voce considera que antes se velejava diferente? Por que?
JS: Mais obviamente Pepe, a navegação mais antiga e nem tanto antiga assim era muito mais poetica, entretanto nao tinha a seguranca que hoje se tem.
Nos ainda quando navegamos pelo litoral do Brasil, usamos o Sextante, depois a coisa foi evoluindo e hoje se tem o GPS, a maior invensao nautica do ser humano depois da bussola.
Quanto ao velejar ainda que hoje se tenham materiais modernos, a base permanece a mesma, com as variacoes tao somente de materiais mais duraveis.

P: O fato que os barcos hoje serem talvez melhores… mudou o jeito de velejar?
JS: Nao acreditamos muito neste aspecto, para nos a arte, a poesia do velejar, permanece a mesma. Nos como saudosistas temos ate nosso veleiro classico que nos da por vezes uma nostalgia especial.

P: Como influenciou a tecnologia electronica internet em tua navegação ?
JS: Influencia de forma precisa e concisa, alias como acima comentamos em detalhes.

P: Ao velejar em que voce se apoia: na arte oculto da navegação ou na tecnologia evidente?
JS: É evidente que a tecnologia é a base. Mas sempre em qualquer velejada, inicialmente aquele boa conversa com o CAPITAO LA DE CIMA é prioritaria e fundamental!!!!
Como voces dizem:
No lo creio en las bruxas pero que las ay, ay !!!!!! Hehehe!!!

P: Qual a caracteristica do Clima nas zonas aonde voce tem velejado?
JS: Nossa rota estabelecida desde o inicio de nosso planejamento para a viagem, foi a "rota do sol". Ou seja, sentir sempre o calor dos tropicos e viver sempre bem a vontade. Tal so nao ira acontecer quando no Mediterraneo, porem la so se navega no verao, e no inverno, vamos ao Brasil que é verao!!!! Brisa suave, mar espelhado, ilhas tropicais, locais belissimos, estas sao as caracteristicas maiores.


P: Quai sao os ventos que mais problemas tem causado nas tuas navegacoes?
JS: Em nossa viagem sempre navegamos nas epocas certas, obedecemos aquilo que se chama, "As janelas do tempo", assim os ventos sempre foram normais, e nada que nos colocasse em situacoes dificeis. Com exceção daquele fato que narramos entre Salomao e Australia, uma situação atipica. De resto é o sempre velejar de final de semana, ventos calmos e muita tranquilidade, esta é a nossa maneira de fazer cruzeiro a vela pelo mundo.

P: Qual a diferencia entre o Joao Sombra que partiou e o Joao Sombra que hoje esta a bordo do Guardian?
JS: Meu super hermano Pepe, imagine voce viver toda uma vida na cidade, trabalhando, por vezes ate em areas de risco, sempre envolto pelo stress, o cotidiano da vida de rotina e burocracia, com somente os finais de semana, feriados e vacaciones para descanso. E, de repente voce chuta o pau da barraca, se lanca no maior projeto de sua vida, ganha uma nova concepção de viver, passa a ter a total e tao sonhada liberdade. Se ve livre das garras do sistema, pelo menos em parte.
Voce muda, todos os seus conceitos de vida, estes ganham uma nova coloração , passa a ter uma nova ideia de viver plenamente, consegue superar a si mesmo.
Isto acnteceu nao so com o Sombra, mas com sua familia, e com todos os velejadores de cruzeiro a vela pelo mundo.
Hoje somos uma pessoa totalmente diferente, nossos limites aumentaram, passamos a ver o mundo com outra otica, sentimos a beleza do universo e ganhamos o maior premio de andar com reis e mendigos e sermos sempre a mesma pessoa.
Todas as vezes que chegamos a civilização ou mantemos contatos com a mentalidade dos viventes da cidade sentimos o quanto mudamos e o quanto ainda teremos que mudar mais, a fim de chegar ao ponto maximo de amar aqueles que nos querem mal.
É muito dificil chegar a este ponto, mas com toda certeza estamos no rumo certo.

P: Qual a tua idade neste momento de perguntas e respostas?
JS: Estamos colhendo nossa 62ª primavera, sendo que as ultimas 8, foram carregadas de flores da mais perfumadas e belas.

P: Voce projeta velejar ate quando?
JS: Esta de todas as suas questoes fatalmente sera a mais dificil de responder, so o tempo é que todo soberano ditara os rumos de nossa vida para o futuro.
Ficam sempre as questoes a serem respondidas:
- Conseguiremos novamente viver em nossa casa???
- Depois desta viagem que devera ainda levar mais uns 8 anos, viver na cidade novamente sera possivel???
Tudo é muito dificil de se analisar, o fato é que hoje, o GUARDIAN nossa vida e tudo que nos cerca tem um aspecto muito diferente. Assim, o tempo, como colocamos, é que determinara o nosso viver, apos esta viagem.

P: Temos feito, estimado Joao, varias pernas neste "Olhando pela vigia". Cada uma foi uma pergunta. A gente vai chegando ao final da reportagem .Qual recomendação voce daria a um velejador que deseja recorrer o mundo?
JS: A recomendação é uma so, partam, saiam pelo mundo a vela, ganhem uma nova vida, descubram o grande ser e coração que ha em dada um. O ser humano é algo extraordinario, é uma maquina capaz de superar a seus limites. E, isto cada qual descobrira, fazendo uma viagem como esta que estamos a realizar.
Nao tenham medos e coisas deste tipo confiem sempre nas suas potencialidades e certamente viverao tempos abencoados.
Ue!!!O que estao esperando?????

P: Que mensagem voce daria a mil velejadores que podem te ler sobre o simple fato de velejar, seja aonde seja?
JS: Vela é algo poetico, é musica, é arte, aprendemos que nada supera ao ver nossa vela branca ao fim de tarde ser dourada pelo sol, viramos ouro, nos e nosso amigao, tornamos parte do mundo de nosso CAPITAO LA DE CIMA.
Bons ventos, mar espelhado e inesqueciveis velejadas é o que desejamos a todos.

P: Obrigado, Muito Obrigado Biiita, Atila e Joao Sombra de Albuquerque por compartilhar um pouco da sua vida com mil velejadores neste "Mirando por el Tambucho" ("Olhando pela vigia")
JS: Meu super irmao PEPE, com muita emoção e honra, fizemos esta materia com voce. Um bate papo de bons irmaos, abrindo o coração , como no inicio diziamos, e agora dizemos mais, foi inegavelmente a melhor das muitas entrevistas que fizemos, pois foi o conversar com gente do mar, que conhece o mar, o velejar, o navegar. Assim, as perguntas foram inteligentes, de profundo pensar e se analisar.
Para nos foi com toda certeza momentos que irao morar para sempre em nossa memoria, quando levamos aos irmaos Argentinos, nosso pensar, nossa vida, e nossa sempre eterna amizade.
A voce Pepe, nossa palavra de gratidao pela oportunidade impar ofertada, e a voces todos, irmaos Argentinos, a promessa de que estarao sempre em nossas coracoes, pois a Argentina, ao Brasil e os nossos paises irmaos sul americanos esta legada a grande tarefa de sermos o mais alegre, o mais rico e o mais autentico continente do mundo.
Ainda haveremos todos de superarmos nosso pequenos problemas, e sermos o mercado comum sul americano, independente, unido e tendo com moeda o "amerisul", a moeda mais forte do mundo.

Aquele forte abraco a todos do sempre irmao....
Sombra e familia.




www.guardianboat.com.br
guardianboat@yahoo.com.br
guardianboat@hotmail.com

Agradecemos especialmente a Hector M. Wrublewski navegante de la ciudad de Posadas, Misiones, Rep. Argentina que con su dominio del idioma portugues hizo de nexo literario entre Joao Sombra y Pepe Fuera de Borda que si bien se entienden en perfecto Espagues (Español y Portugues) en honor a los lectores han preferido ajustarse a las reglas en cada una de las versiones idiomaticas de este reportaje.
Gracias Hector por tu invalorable ayuda !!!


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